terça-feira, 19 de outubro de 2021


1001 Receitas para Enganar Tolos

Comissão Política do Partido Socialista
Na reunião, do passado dia onze, da Comissão Política do Partido Socialista e com o objetivo de reter jovens qualificados neste País que cada vez menos qualificado é, anunciou aquele que é o Primeiro-Ministro de Portugal a extensão do IRS reduzido para os jovens em início de carreira: "nos dois primeiros anos não será tributado trinta por cento do rendimento, no terceiro e quarto ano não será tributado vinte por cento do rendimento, e no quinto ano não será tributado dez por cento do rendimento".

Ora, qualquer um que pague impostos e saiba fazer umas rápidas contas chegará à conclusão de que, trocado por miúdos,  ao fim do ano este tão alardeado benefício representará, quando muito, uns míseros dois mil e quinhentos euros, tendo em conta os baixos salários auferidos no início de carreira e o facto de o chamado benefício ser, progressivamente, reduzido entre o primeiro e o quinto ano.

Na melhor das hipóteses, e por limite legal*), a isenção não poderá ser superior a 3.332,50€ nos dois primeiros anos, 2.215,00€ no terceiro e no quarto e 1.107,00€ no quinto.

Ficará, assim, o recém-licenciado, no máximo, com uns duzentos e oitenta euritos a mais ao fim do mês, o que, vê-se logo, é muito mais do que a diferença entre o salário ridículo que aqui lhe pagam e os proventos chorudos que lá fora iria auferir .

Já se sabe que, desde aquela coisa de Bolonha*), os licenciados não são o que eram, por culpa, não deles, mas de quem os tem vindo a menorizar, reduzindo o tempo de estudo ao mesmo tempo que, paradoxalmente, o acervo de informação disponível e necessária vai sendo cada vez maior.

Mas será necessário insultar, de tão despudorada forma, até a inteligência de quem pouco mais do que operações aritméticas for capaz de fazer?

Terá o próprio Primeiro-Ministro em tão fraca conta o discernimento dos tão qualificados jovens para pensar que assim os conseguirá iludir, ou já terá entrado numa espiral mediática e publicitária sem qualquer substância que, num estonteante rodopio, o leve a pensar e a dizer coisas tão... intrigantes, como esta?

Estará a política condenada a não passar de uma história de faz de conta?

Como, nesse caso, esperar que a abstenção diminua?

Se é para isto, que utilidade haverá em ir votar?

Em que e em quem acreditar?

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2 comentários:
  1. É fácil criticar medidas de um governo, de um executivo camarário, de um executivo empresarial. É fácil.

    O que é difícil, e por isso quase ninguém o faz, é sugerir medidas alternativas que atinjam os objetivos pretendidos, sem ofender os direitos fundamentais dos cidadãos ou outras metas da governação.

    No presente caso, podia sugerir-se que os jovens tivessem isenção de IRS total, nos primeiros 10 anos de vida ativa, mas seria imperativo explicar como compensar a falta de receita para os cofres do Estado e o impacto correspondente do défice das contas públicas. Também se impunha explicar como se contornava a ofensa dos direitos liberdades e garantias que os empregados que trabalham ao lado desses jovens, fazendo trabalho semelhante mas pagando 30 ou 40% de IRS.

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    1. Perdoará se me permito discordar: nem dez anos, nem a violação de direitos, liberdades e garantias de quem quer que fosse. Simplesmente, não acenar com medidas artificiosas como esta a fim de simular que se está a fazer o possível para reter jovens talentos. Se não é possível, não se faz. Mas não é bonito fingir que se faz...
      Em vez de medidas vazias como a que aqui é assunto, seguramente mais eficaz seria criar condições efetivas para assegurar as condições profissionais, a gratificante progressão na carreira e a qualidade de vida que os jovens destinatários da medida encontram nos países para onde acabam por emigrar.
      Quanto a sugerir medidas alternativas, lamento, mas não é o meu papel ou o de qualquer um de nós que às coisas da política e da governação não tenha escolhido candidatar-se. Quem tal via escolheu para fazer o seu caminho na vida, seguramente, melhor do que qualquer outro, será competente para as melhores soluções descortinar.

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