domingo, 10 de abril de 2022


Eça de Queiroz: Conde d'Abranhos

A classificação da maior ou menor qualidade de qualquer produção é, sempre, subjetiva, como bem o demonstra a disparidade habitualmente encontrada na crítica cinematográfica.

Com esta ressalva bem presente, atrevo-me a considerar "Conde d'Abranhos", não apenas como uma das melhores séries portuguesas a que alguma vez tive o gosto de assistir, como capaz de ombrear com muito do melhor que lá de fora nos é trazido, em brasileiro, em inglês, francês ou outra língua.

Composta por treze episódios transmitidos, pela primeira vez, no ano 2000, a série inspirou-se no romance póstumo "O Conde de Abranhos - Notas Biográficas por Z. Zagalo", de Eça de Queiroz, do qual é frequentemente citada a passagem “Este governo não há de cair - porque não é um edifício. Tem de sair com benzina - porque é uma nódoa!”, aplicável, segundo uns ou segundo outros, a todos os governos dos quais alguma vez dependeram os destinos das respetivas nações.

No sétimo episódio da série - integralmente disponível no arquivo RTP - ouvimos, nas palavras que o guião pôs na boca de Zagalo: "Um país vazio, que anuncia um país ainda mais vazio. Como se fosse o deserto de tudo. Tão deserto e tão seco, que não há lugar para uma única ideia que seja. Só palavras, palavras. Nada mais que palavras (...). Um país ridículo e analfabeto", imagem que, no tempo de Eça como agora, parece descrever, na perfeição a indisfarçável decadência de valores e de costumes em que as gentes deste nosso ocidental retângulo vêm caindo.

Esta crítica social e política é o mote, e uma constante ao longo da obra e da série, desta sendo justo destacar, além do texto de Francisco Moita Flores e da realização de António Moura Mattos*), as interpretações de Paulo Matos*) (Alípio Abranhos), João d'Ávila*) (Zagalo), Carmen Santos*) (Laura Amado), Filomena Gonçalves*) (Casimira) e Rui Luís*) (Justiniano Amado).

Imagens: arquivo.rtp.pt

Pode ler a obra completa aqui,
ou assistir a toda a série televisiva aqui.

sexta-feira, 8 de abril de 2022


Figueira da Foz: Praça 8 de Maio

 


A praça evoca a data do desembarque, em 1834, das tropas constitucionais, em Buarcos*), tendo a guerra civil*) entre miguelistas e liberais terminado dias depois, com a assinatura, a 26 de Maio, da Convenção de Évoramonte.

Também conhecida por Praça Nova*), é uma das principais artérias da Cidade.