sábado, 3 de julho de 2021


Afinal, Deus Existe?


"Ao nosso alcance apenas está saber que essa razão, essa entidade,
existiu ou existe, algures ou nenhures, antes ou após a criação do tempo,
do espaço e do que parece ser material.
Sabemo-lo, não por um ato de fé, mas por dedução lógica a montante da fé;
e o que se sabe, não se pode ignorar, nem vale a pena negar
"

 

         1. As Leis Não Nascem do Nada
         2. O Legislador da Natureza
         3. A Inevitável e Inacessível Razão na Origem da Criação

                                                                                                                                                

As Leis Não Nascem do Nada
1. As Leis Não Nascem do Nada

Vivemos, ao que me dizem, num estado de Direito que faz parte de um Mundo todo ele feito de estados de Direito. Ou quase todo. Ou que parece ser todo.

Ora, num estado de Direito, em qualquer estado de Direito digno dessa designação, vive-se o primado da lei, sendo esta coletivamente considerada como o sistema de normas destinado a regular as relações sociais para evitar que nos trucidemos uns aos outros apenas para ter acesso a comida, ou por nos terem roubado o ou a mais que tudo; ou por cobiça, por vício, por mera diversão ou por qualquer outra mais ou menos estúpida razão.

No entanto, as leis não aparecem espontaneamente por aí, sem haver quem as faça; e, como interessa pouco quem foi que, de facto, redigiu ou fez vigorar esta ou aquela lei, é costume dizer que a lei – toda e qualquer lei – é da autoria de uma pessoa a quem convencionámos chamar legislador. Isto é axiomático, definitivo, é assim, porque não pode ser de outra forma: não existe lei para a qual não tenha, em algum lugar e em algum tempo, havido um legislador. Depois, para interpretar essas leis, os técnicos que a essas coisas se dedicam passam a vida a procurar adivinhar, para certas normas, qual a intenção do respetivo legislador.

Sabemos, também, que nem todas as leis, se inserem no âmbito do Direito positivo – aquele dos códigos e do Diário da República -, o mesmo podendo dizer-se dos princípios que subjazem à conceção e elaboração dessas mesmas leis. De facto, todos nós, os mais comuns dos mortais, numa ou noutra circunstância do quotidiano invocamos, da Natureza, esta ou aquela lei. Para parecermos sabedores, ou por sermos conformistas ou porque assim o sentimos, é, até, frequente comentar esta ou aquela graça ou desgraça que acontece dizendo algo como: “Pois é, são as leis da Natureza”. Quase sempre, quando acontece aos outros algo de mau…

 

2. O Legislador da Natureza

O Legislador da Natureza
Admitamos, agora, que, como pretendem alguns, do caos, pode nascer ordem, ou seja, que a ele pode a Natureza ir buscar ordem. Significará isto que, do caos total sobrevindo de um eventual big bang ou evento parecido terá podido nascer a ordem quase total como hoje a conhecemos? Que do caos total nasceu, por coincidência tão espantosa como improvável, uma ordem universal tão perfeita que permite, por exemplo, que eu esteja para aqui sentado a escrever estas coisas sem receio de que uma parte da incrível quantidade de átomos que forma o teto que me cobre decida fartar-se de ali estar, aparentemente parada, e resolva seguir outro caminho, assim fazendo desabar a restante parte do teto e pondo fim aos meus já longos dias?

Certamente que não.

Se o teto está e continuará a estar ali em cima até que alguém decida removê-lo ou alguma causa externa e independente da vontade dos átomos que o compõem o faça desabar, é porque, não uma, mas múltiplas leis da Natureza - aplicáveis, por exemplo, aos materiais e ao ambiente em que eles se encontram - determinam que continuem aqueles a desempenhar a função que lhes foi destinada e a assegurar, tal como uma incalculável quantidade de outros como eles, a relativa estabilidade que é essencial à vida tal como a percecionamos e julgamos conhecer.

Ora, tendo mais acima estabelecido que qualquer lei é elaborada por um legislador, forçoso se torna concluir que o apreciável acervo de leis naturais que conhecemos e a imensidão das que desconhecemos vieram, também elas, não do caos, mas da mente de um legislador.

Sabemos, outrossim, que é sempre privilégio do legislador alterar, derrogar ou revogar as leis que elabora, o que frequentemente acontece com os diversos diplomas legais, códigos, qualquer elemento constituinte de um edifício jurídico.

A Diferença Fundamental
Qual é, então, a diferença fundamental e absoluta entre as leis do Homem e as que a Natureza lhe impõe sem que ele ao cumprimento delas se possa furtar - já que, aquilo que conhecemos como leis da Natureza, não há força humana que seja capaz de alterar?

Como, na verdade, poderemos alterar ou revogar a lei de Newton, o teorema de Pitágoras, os princípios de Arquimedes, de Pascal? Impossível, e a razão é evidente a qualquer um: não foram estes ilustres cientistas os respetivos legisladores, não foram eles que elaboraram estas e todas as outras leis naturais – as poucas já conhecidas e aquelas quase infinitas cuja existência nem sequer nos foi, ainda, dado conhecer -, as quais, por comodidade na referenciação e em exaltação do resultado que convida a seguir o exemplo, apenas vão sendo batizadas como o nome de quem, na Natureza, as identifica.

A existência de qualquer lei da Natureza não é suscetível de ser provocada pelo Homem, sendo meramente constatável através de uma observação inicial a validar através daquilo a que chamamos investigação científica - cientes embora de que os ínfimos passos que a Ciência vai dando não passam de mosaicos, de pequenas partículas de uma construção infinita e por nós inalcançável, arquitetada por um legislador supremo que não conhecemos nem sequer vislumbramos porque se não deu, se não dá e, desolado com o que por cá poderá estar a ver, cada vez menos razões terá para se dar a conhecer.

Por uma questão de comodidade e para acompanhar a nomenclatura generalizada, a esse legislador supremo chamarei Deus.

 

3. A Inevitável e Inacessível Razão na Origem da Criação

A Inevitável e Inacessível Razão na Origem da Criação
A palavra Deus ora anda, por tudo e por nada, nas bocas do Mundo, ora a muita gente causa arrepios, constrangimento, escárnio, vergonha e uma imprevisível e desordenada mescla de outros sentimentos e reações, vá lá saber-se porquê, se é verdade que a necessidade de um conhecimento fundado da existência antecede, inevitavelmente, a decisão de professar qualquer fá religiosa:  sem Deus, para qualquer religião jamais haverá objeto de adoração.

Não professando eu já qualquer religião, não estou, naturalmente, a referir-me ao Bom Manitu, a Júpiter, a Alá, a Jeová ou ao deus representado no teto da Capela Sistina.  Chamo Deus à razão sobrenatural que criou a ordem universal em que todos estamos imersos, à qual estamos irremediavelmente vinculados e da qual nenhum de nós alguma vez poderá escapar, tal como acontece com os pequeninos átomos do teto aqui por cima. Pode haver quem diga que sim, mas ainda ninguém me explicou como ou para quê.

Cada um desses pequenos átomos está sujeito a uma virtualmente infindável quantidade de leis divinas que, no seu conjunto, asseguram a ordem natural, tal como as leis dos homens formam o Direito.

Nas cidades, não nos apercebemos tão facilmente das maravilhas da Criação. Por cá, praticamente tudo quanto se nos apresenta aos sentidos é produto da criação humana, de um engenho cada vez mais desenvolvido, e servido por uma base de conhecimento cada vez mais vasta. Mas no campo, quem resistirá a maravilhar-se olhando para uma minúscula bolinha castanha e para o enorme pé de couve que uma bolinha semelhante gerou? Ou olhando para uma bolota caída no caminho e, sobre ela, para o gigantesco e centenário sobreiro que de outra bolota nasceu? Serão o engenho e a razão humana alguma vez capazes de produzir algo tão maravilhoso como aquilo que, há milénios para nós infinitos, a Razão sobrenatural programou? 

Esta Razão sobrenatural surge-nos como a primeira causa, a causa das causas, um deus que, assim definido, inegavelmente existe, dotado de conhecimento e de poder infinitos ou perto disso e nos permite por cá levar a vida usufruindo dos recursos que quis pôr à nossa disposição:  o tempo, o espaço, a matéria; as leis que os regem, deterioram e regeneram; os outros seres; o nosso corpo de primatas e a mente e o espírito que dele se servem na prossecução de um objetivo último que, paradoxalmente, nos não é dado conhecer.

Para um ser pensante, deve ser esta a angústia maior da vida, a que suscita a questão primeira, à qual ninguém sabe responder: o que quer de nós este desconhecido deus, esta Razão universal? Ao nosso alcance apenas está saber que essa razão, essa entidade – provavelmente, imaterial -, existiu ou existe, algures ou nenhures, antes ou após a criação do tempo, do espaço e do que parece ser material. Sabemo-lo, não por um ato de fé, mas por dedução lógica a montante da fé;  e o que se sabe, não se pode ignorar, nem vale a pena negar.

Compreender o Impossível
Alguém escreveu que “a inteligência que quer compreender a Criação quer compreender o impossível”.  Esse esforço seria uma perda de tempo, não só por tudo indicar que levará a lugar nenhum, como porque havemos de entender que, quisesse tão poderoso Legislador dar-se a conhecer, haveria de já o ter feito; ou virá a fazê-lo quando muito bem entender, para tal não ficando dependente de um eventual resultado positivo da nossa humana incompetência, quando um dia decidíssemos bisbilhotar.

Assim, investigar Deus mais não é do que desafiar os Seus desígnios, e uma perda de tempo colossal. Um pensamento atribuído a um físico alemão do século XX, tido como o pai da física quântica, diz que “a Ciência não pode resolver o mistério final da Natureza. E isto porque, em última análise, somos parte do mistério que tentamos resolver”.

Se aceitarmos esta afirmação, restar-nos-á refletir sobre a nossa missão enquanto Humanidade, sobre a motivação que poderá ter estado na origem da vida, sobre o que terá motivado a criação de tudo isto a que nos habituámos a chamar Universo, cuja dimensão ignoramos e sempre ignoraremos, da mesma forma que a primeira coisa que nos confunde acerca de Deus é a sua dimensão: por muito inteligentes que nos julguemos, escapará sempre, ao nosso entendimento, a qualquer veleidade de compreensão.

Com maior utilidade para todos, caberá, antes de tudo, refletir sobre a missão individual de cada um e sobre as razões da diferença marcante do animal que somos relativamente a todas as outras espécies, questões estas que, porque mais próximas nos são, nos permitirão a verdade com menos insucesso procurar.

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24 comentários:
  1. É de facto um bom texto, com uma analise muito lucida e lógica acerca do tema. O debate sobre a existencia de Deus è por vezes um debate inconclusivo e controverso porque grande parte das pessoas que o debatem parecem estar predispostas a forçar a sua concepçao acerca do Deus em que acreditam e menos recetivas a trocar ideias e diferentes pontos de vista. O seu texto fez-me ver e pensar segundo uma perspetiva que nao me tinha ocorrido antes. Independentemente de discordar ou concordar, forneceu-me materia e dados para considerar outros pontos de vista. Bem haja.
    Antonio Magalhaes.

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    1. Fico muito grato pelas suas palavras, que sintetizam perfeitamente a minha intenção ao escrever o que leu. As suas palavras serão sempre bem-vindas, em qualquer artigo que consinta comentar.

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  2. É caso para dizer: DEUS escreve direito por linhas tortas. Gosto muito do texto. Obrigada. Sucessos.

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    1. Muito obrigado pela avaliação. Espero ter o gosto de contar com novos comentários seus a outros textos aqui do Mosaicos.
      Muitas felicidades para si também!

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  3. Evidentemente que o tema é complicado para um simples comentário, isto no ano de 2021.
    Imagine o que seria há cem anos. Só poucos tentariam fazer comentários, e há duzentos anos? Há trezentos anos nem havia nenhuma forma de o fazer ou até no mínimo seria uma heresia podendo dar lugar à morte na fogueira.
    Mas, a existência de Deus é um assunto das pessoas religiosas, ou seja das pessoas religiosas de qualquer religião. Temos o 'até amanhã se Deus quiser' e 'Deus queira que não lhe aconteça nada'. Para quem não é religioso coloca a questão: então amanhã Deus pode não querer ou Deus quer que aconteça mal a determinada pessoa?. Já que os fenómenos naturais, terramotos, dilúvios, erupções vulcânicas acontecem em muitas zonas do globo onde não existem pessoas.
    Reparemos no que está agora a acontecer numa ilha do arquipélago das Ilhas Canárias: um vulcão em erupção. No leste asiático na zona da Camechateca os muitos vulcões existentes sempre estiveram em erupção, sempre e numa extensão de milhares de quilómetros, o homem nunca por lá habitou.
    Os religiosos estão constantemente a "rectificar" a doutrina em conformidade com evolução das necessidades (ciência) do homem. Alguns filósofos do séc. XVII adiantaram-se e ficaram por 'não foi Deus que criou o homem, foram os homens que criaram Deus'.

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  4. Essa questão é muito interessante, e sobre ela procurei refletir no artigo 'Como Gere Deus o Universo' (no separador 'Vida', acima), que o convido a também ler. O mote é, precisamente, a erupção do Cumbre Vieja.
    Não tenho, porém, certezas quanto aos conceitos absolutos de 'bem' e de 'mal' - caso existam -, já que apenas tenho capacidade para olhar para eles como ser humano; não, seguramente, como Deus. Se for verdade que, como dizem, 'Deus escreve direito por linhas tortas', deixaremos de ter tanta certeza de que as erupções vulcânicas sejam, sobretudo, um mal.
    Além do mais, com tanto espaço no Planeta, sempre me fez grande impressão assistir a reocupações destas áreas de risco e de outras no género quando existe a possibilidade de ir viver para outro lado. Poderá dar-se o caso de a Natureza, Deus, o que quisermos, 'necessitar' ou entender por bem, por alguma razão que desconhecemos - como estamos distantes de conhecer ainda que seja uma ífima parcela do Universo! -, que esses fenómenos se repitam nesses lugares e nosses momentos. Em última análise, poderá, até, ser vital para a manutenção da estabilidade da Terra. Não sei.
    O que 'sei' é que, podendo, jamais iria habitar um local com grande probabilidade de ocorrência de erupções frequentes...
    Quanto à 'ousadia' de abordar estes temas, concordo inteiramente que só recentemente começou a ser possível fazê-lo sem receio de (grandes) represálias. 'Grandes', já que, também na metafísica, parece existir uma certa cultura de... coisas que se nos colam à pele.
    Só não concordo consigo quando diz que 'a existência de Deus é um assunto das pessoas religiosas': eu 'sei' que Deus existe, como procurei demonstrar no artigo que leu. Não professo, no entanto, qualquer religião.
    Votos de uma ótima semana!

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  5. Não professa qualquer religião, então é irreligioso e por isso é ateu negando a existência do divino ou relativo a Deus.

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    1. Muito obrigado pelo seu comentário.
      Tenho dificuldade em entender o que pretende expressar, quando afirma que sou ateu em virtude de não professar qualquer religião. Tanto quanto julgo saber, ateu é aquele que nega a existência de Deus, o que, como facilmente se constatará, não é, absolutamente, o meu caso, uma vez que o texto que leu visa, precisamente, demonstrar essa Existência.
      Simplesmente, não sinto necessidade da mediação de qualquer religião, entendida como interlocutora privilegiada na minha relação com Deus. Penso pela minha cabeça, e a minha ideia de Deus não passa por qualquer estereótipo ou normalização.
      Espero ter contribuído para clarificar a dúvida que apresentou, e renovo os meus agradecimentos, ficando à sua inteira disposição para continuar esta conversa.

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  6. Concluindo, então, é religioso mais não professa, no entanto, qualquer religião.
    Como é que se pode ser religioso sem professar nenhuma religião e querer demonstrar que Deus existe.
    A existência de Deus é também o "que não se sabe explicar e só Deus é que sabe", e ficamos na mesma por só se sendo religioso é que ficamos convencidos.

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    1. Peço desculpa, mas creio que não me fiz entender. 'Religioso' não será, propriamente, aquele que acredita na existência de Deus, ou a aceita ou, como é o meu caso, chega à conclusão pela Sua existência através da dedução lógica.
      'Religioso' será, antes, aquele que, uma vez consciente da existência de uma divindade, escolhe uma ou outra organização que professe um conjunto de normas que pretende serem as únicas - ou, pelo menos, as ideais - que permitem a devida adoração da mesma.
      Deus não existe porque alguma religião o afirma: as religiões é que existem porque, antes delas, existe Deus. De outra forma dito, Deus existiria mesmo que não existisse qualquer religião, mas nenhuma religião poderia existir se não existisse uma divindade - seja qual for o nome que lhe demos -, por absoluta falta de objeto; isto é, por não ter a quem adorar, se não existisse o respetivo deus.

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  7. '...nenhuma religião poderia existir se não existisse uma divindade...'
    Então, em que ficamos, que divindade? As divindades nascem/nasceram conforme as necessidades, o lugar e as contingências dos tempos (espaço de tempo).
    Pelo que sabemos foram por necessidades de vária ordem que surge um 'valha-me Deus' ou seja qualquer coisa extraordinária ou até normal para resolver um grave problema, e se o problema fosse resolvido nasceria uma crença em qualquer coisa com certa lógica: se rezarmos para acabar a seca só faz sentido em lugares de terreno de cultivo, ninguém reza num deserto para que chova. Voltamos à 'Deus é que sabe' para nos perguntar-mos da necessidade da existência dos dinossauros e o cometa destruidor dos mesmos e os milhões de anos para formar o homo sapiens ou o australopiteco. Então para quê esta experiência divina que a 'Deus é que sabe' dá no mínimo um 'pois, 'tá bem, 'tá bem' para que foram oitocentos milhões de anos com esta experiência'. Vá que todos começamos a concordar da antiguidade da terra e das suas transformações geológicas, até há bem pouco tempo religiosamente subtraiu-se uns bons milhões de anos. A crença em Deus foi diferente conforme o tempo em que se viveu, como é que sabemos se a actual fé em Deus é mais íntegra que há de 2000 anos passados?
    Eu pensei que me ia responder de não ser "um" religioso por não ser um padre, pastor, rabino, iman ou um monge budista.

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  8. Tem, evidentemente, razão quando diz que 'a crença em Deus foi diferente conforme o tempo em que se viveu', mas não é esse o tema do texto que teve a amabilidade de ler. O que nasceu 'conforme as necessidades, o lugar e as contingências dos tempos' foram as religiões e a visão que cada uma delas tinha de Deus, independentemente do nome (ou nomes, no caso das religiões politeístas) que lhe atribuíssem.
    Ora, que me esforcei por demonstrar no meu texto foi a real existência de Deus enquanto razão criadora do Universo, independentemente da crença ou fé que cada um ou cada religião possa ter. Procurei, pela dedução lógica, chegar ao 'conhecimento' efetivo, positivo, indiscutível da existência de Deus, despido de qualquer fé o crença jamais validada. 'Apenas' isso.
    Se a fé de uma ou de outra religião é mais 'íntegra' ou menos do que há milhares de anos, não faço ideia, nem me dedico a pensar nesse assunto, já que, como referi, apenas me interessa o conhecimento (pelo menos, validado pela lógica, ainda que a mais elementar), e não um Deus que, supostamente, existe porque uma ou outra religião o afirma.
    Relativamente ao significado de 'religioso', entendo-o como alguém que segue uma religião sem, necessariamente, ser um sacerdote da mesma.
    Por fim, quanto às catástrofes naturais, ao seu significado e à razão por que ocorrem, tomo a liberdade de sugerir que leia o artigo 'Como Gere Deus o Universo?' (no separador 'Vida' na barra horizontal acima), no qual refleti com maior pormenor sobre o tema.

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  9. Não sabia que pode demonstrar a real existência de Deus, ou melhor dizendo que tem a pretensão de demonstrar num texto a existência de algo que não existe.
    Existir é viver, ser, estar e fazer parte da realidade.
    Descartes está desatualizado com o seu 'penso, logo existo' por nunca ter feito exames a cérebros de pessoas, se o tivesse feito chegava à conclusão de 'existo, por que penso'.
    A questão sobre as catástrofes naturais é como se queira, o seu artigo é o seu ponto de vista do lado religioso da questão e o 'foi Deus que quis' resolve a falta da explicação cientifica.
    Os primeiros colonos quando se fixaram na América do Norte, para arranjar madeira para construir casas e pasto para a criação de animais domésticos resolveram cortar milhares de árvores e pegar fogo numa grande extensão dos Apalaches, que se estendeu por uma grande área e durante alguns anos, cujo fumo arrastado pelos ventos veio alterar o clima na Europa provocando grandes secas e fome que deu azo à Revolução Francesa. Acabaram os fogos acabou o fumo, o clima voltou a normalizar.

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  10. Bem, sempre pensei que a única forma eficaz de discordar de uma conclusão é atacar, um a um, os seus fundamentos. Em vez disso, de atacar cada ponto que me leva à conclusão de que Deus existe, lamento verificar que se limita a dizer que 'não existe', ponto final. Assim, será difícil debater o tema com alguma substância e interesse.
    Diz que 'existo, porque penso'. Bem, pela minha parte prefiro continuar a pensar que o meu automóvel anda porque alguém o construiu, e não que alguém o construiu porque ele anda. Mas, claro está, se em lugar do conhecimento prefere agarrar-se à crença - no seu caso, à crença de que Deus não existe, sem que, para ela, apresente qualquer fundamentação -, quem sou eu, na minha insignificância, para lhe negar esse direito. Afinal, fundamentando ou não, cada um pode opinar como quiser, tal como cada um pode valorizar como quiser.
    Por outro lado, se entende que 'a questão das catástrofes naturais é como se queira', não vejo, também, grande utilidade em debater um assunto relativamente ao qual, à partida, dizemos ser indiferente a conclusão. Posso estar errado, mas tenho para mim que qualquer debate apenas fará sentido enquanto parte de uma busca verdadeira e empenhada da verdade à qual, apesar de sabermos que jamais a conheceremos plenamente.
    Não consigo, por fim, entender em que tem o facto e os efeitos de os colonos pegarem fogo às árvores com o tema das catástrofes naturais. Entende, então, que os atos humanos geram catástrofes 'naturais'? Nesse caso, teremos de considerar as guerras também como catástrofes 'naturais'.
    Serão?

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  11. Quem formata ou mede a credibilidade duma pessoa? Só pode ser outra ou outras pessoas com credibilidade.
    Conhece o distinto Prof. António Damásio, neurocientista português da Universidade do Sul da Califórnia reconhecido entre os seus pares e outras pessoas dos mais diversos quadrantes como pessoa de grande credibilidade no estudo do cérebro e emoções humanas.
    No seu livro, que julgo que o leu, "O Erro de Descartes, Emoção, Razão e o Cérebro Humano" explica o 'existo, por que penso', e escreveu mais livros que lhe resolve a sua dúvida quanto ao automóvel.
    Quanto às catástrofes naturais e a seca na agricultura poder provocar revoltas está a história cheia. No século XVIII a Europa atravessava a chamada "pequena idade do gelo" que estudiosos do assunto são de opinião de que com a questão solar que se verificava também o fumo dos grandes fogos nos Apalaches influenciaram o clima. Como a Revolução Francesa também esteve ligada ao problema da fome por maus anos agrícolas, é fácil de relacionar com o fumo dos fogos na costa leste d América do Norte. Há estudos científicos que o comprovam.
    O estudo científico é uma chatice, e o estudo da geologia é uma grande chatice.

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    1. Deixe-me salientar que o que aqui está em discussão é a validade dos argumentos que apresentei. Para continuarmos esta conversa, será esses que fará sentido contestar. Utilizar conclusões de terceiros, por muito conceituados que sejam, conclusões que nada têm a ver com o artigo que, supostamente, estará a comentar afigura-se-me absolutamente inútil e desinteressante para a discussão, que, nessa base, seguramente não irei alimentar.
      Quanto à questão dos fogos, não vale a pena enviesar o assunto: apenas a referi porque indicou uma causa humana a efeitos que associou a uma causa natural, e não humana, como acontece com o atear do fogo.
      Se quiser rebater, com ideias próprias, os fundamentos que utilizei no texto, terei o maior prazer em prosseguir a conversa. De outra forma, penso que não teremos como continuar a conversar.

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  12. 'Se quiser rebater, com ideias próprias....'
    Mas, qualquer ideia que se tenha será sempre formada em conhecimentos aprendidos de terceiros: na escola, universidade, laboratório, colóquios, ensaios e outras formas de "bagagem" de conhecimentos.
    As palavras que utiliza nos seus argumentos estão todas dicionarizadas, como não achei nenhum neologismo
    não me passou pela cabeça pensar estar a rebatar com palavras de terceiros.
    Sei perfeitamente o que são desastres naturais, que mais correctamente devemos chamar desastres geológicos, não incluindo a alterações climáticas devido ao posicionamento da Terra em relação ao Sol ao à Lua e desde a revolução industrial do séc. XIX devido ao homem.
    Como não consulta literatura de terceiros não lhe recomendo a leitura de obras dos Prémios Craffoord ("nobel" da Geologia) ou a obra de Samuel Ting prémio Nobel da Física.

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  13. Sim, será sempre 'formada' como diz, mas não decalcada, com as que aqui me traz.
    Seja como for, vejo que insiste em afastar-se do tema do texto que, supostamente, está a comentar, pelo que, continuar, seria defraudar as expetativas de quantos aqui vêm ler.
    Resta-me, assim, cumprimentá-lo e agradecer o tempo que despendeu.

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  14. Texto interessante mas que, na minha modesta opinião, parte de uma falácia: a de considerar equivalentes duas realidades bem diferentes como são as “leis” inventadas pelos homens para regular a vida em sociedade e as “leis” a que chamou da natureza. Parece-me que o facto de também chamarmos leis a relações que encontramos na natureza não permite de maneira nenhuma inferir que essas “leis” também tiveram um legislador.

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    1. Muito obrigado pelo seu comentário.
      Trata-se, de facto, de realidades diferentes, mas, parece-me, apenas porque operam em planos distintos: as primeiras no plano espiritual e as segundas no material. Penso, no entanto, que se identificam no sentido em que ambas são compostas por conjuntos de preceitos e de regras cujo cumprimento nos é imposto, com força obrigatória geral.
      Acresce, necessariamente, que ambas dimanam da razão, seja ela a razão do Homem, a razão de Deus ou outra, e é, precisamente, esse o sentido da analogia: um preceito, qualquer que seja, é produto de um pensamento, de uma razão, ou não faria sentido, não seria respeitável, não passaria de uma arbitrária imposição.
      Vejo, pois, qualquer preceito como prova da existência de uma razão que o gera (à qual, na total ignorância quanto a algo mais do que a mera existência, chamo Deus, por comodidade de expressão).
      Assim sento, e com o devido respeito, não vejo como poderei concordar com a sua conclusão.
      Renovo os meus agradecimentos pelo comentário: comentários, são um luxo raro para quem aqui vem deixar questionáveis opiniões.

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  15. Obrigado pela sua resposta. Vejo que não o convenci que as duas realidades são diferentes. As leis humanas são efetivamente um conjunto de preceitos e regras inventadas pelos homens para organizar a vida em sociedade. Elas variam com o tempo e o lugar e em muitos casos até podemos decidir não as seguir. Ao contrário, as chamadas leis da natureza são apenas a codificação de relações que existem entre os elementos. Não são preceitos que tenhamos que seguir ou não: Pitágoras descobriu que o quadrado da hipotenusa era igual á soma dos quadrados dos catetos mas nada indica que uma qualquer razão ou pensamento tenha decidido que era assim.

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    1. O que nos separa é, aparentemente, o facto de, no seu caso, o produto de uma - para mim, evidente - atividade intelectual poder ser olhado sem nele vermos a dita atividade que o originou.
      Penso ser possível que, muito no limite - muito mesmo - um ou outro caso pontual de caos acabe, por 'miraculosa' coincidência, por redundar em ordem perfeita. Como explicar, porém, uma Natureza em que tudo parece obedecer a essa ordem prefeita? Como, com a nossa limitada capacidade intelectual, conceber um mundo em que, sem uma razão criadora - pelo menos, num momento inicial, e por muito imperfeitas que, por exemplo, as catástrofes naturais nos possam parecer -, tudo tenha acabado por resultar imutavelmente perfeito?
      Tudo o que é produto humano ordenado e estruturado é produto do pensamento, da razão. Pelo menos nisto, concordaremos. Como poderá, então, não o ser a tão ordenada Natureza?
      Parece-me que é esta a questão que, entre nós, sempre ficará por responder.

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    2. Eu diria que o que nos separa é a nossa anàlise da natureza, que para mim està longissimo de estar ordenada e ainda mais longe de ser perfeita. A admitir que foi obra de um criador, esse criador fez um trabalho bastante atabalhoado.
      (peço desculpa pela acentuação mas este meu teclado não està previsto para a lingua portuguesa)

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    3. Concordo, sem hesitar, que é, efetivamente, esse o pomo da discórdia entre nós; e congratulo-me com o facto de ele existir, assim alimentando a agradável discussão que aqui desenvolvemos.
      Como escrevi, entendo que o conjunto das leis naturais que conhecemos não passa de uma ínfima amostra daquelas - virtualmente infinitas - que existem. Por isso mesmo, a muitos de nós a Natureza aparece como algo desordenado: porque não temos capacidade para vislumbrar a ordem em leis que ainda nos não foi dado identificar.
      À medida que o conhecimento evolui - ou parece evoluir -, novas leis vão sendo descobertas, e vamos compreendendo um pouco melhor o Universo e quanto nele se passa. Mas a Ciência, e continuará, continua a não passar de uma migalha no infinito oceano da realidade e das leis que a regem.
      Numa coisa, porém, penso que estaremos de acordo: aquelas leis naturais que conhecemos são estáveis, são sempre válidas para as condições em que são enunciadas. H2SO4 + Zn = ZnSO4 + H2: onde, quando e como quer que seja, sem que algum humano o possa alterar. O seu computador não se desintegra, as teclas não se derretem ao impacto das suas falangetas, porque os biliões de bilões de átomos que as compõem não têm como alterar a sua estrutura ou a forma de, uns com os outros, se relacionar.
      Votos de um excelente Domingo!

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